Contra a «obsessão do lucro»
O coordenador nacional da CGTP, Carvalho da Silva, criticou hoje a «violação sistemática» dos feriados e considerou que a «obsessão do lucro não pode ser o suporte da sociedade»
«Compreendo que a sociedade actual tem muitos apelos ao consumo, mas defendo que há valores que não se vendem. Não se pode ceder à ganância de quem quer abrir as lojas aos feriados», afirmou Carvalho da Silva aos jornalistas em Matosinhos.
O líder sindical falava à margem de uma manifestação de protesto contra a intenção do Grupo SONAE de abrir os hipermercados Modelo e Continente no feriado de 01 de Maio.
«O feriado tem que ser feriado», frisou Carvalho da Silva.
Sustentou que «os feriados são mais do que um direito adquirido, têm fundamentos históricos e culturais e estão associados a valores da família e da cidadania».
Nesse sentido, o coordenador nacional da CGTP afirmou esperar uma «reacção do governo» ao ofício enviado no final da semana passada por esta central sindical alertando para a intenção do Grupo SONAE.
A manifestação de hoje, que reuniu cerca de duas centenas de pessoas em frente à sede da empresa que gere os hipermercados Modelo e Continente, teve também como objectivo exigir aumentos salariais de quatro por cento para este ano.
«É indispensável o crescimento dos salários em Portugal», defendeu Carvalho da Silva, salientando que os portugueses são os trabalhadores «mais mal pagos» da União Europeia e frisando que vai haver um agravamento do custo de vida este ano.
«A sociedade precisa de um aumento do consumo para dinamizar o crescimento económico, mas esse aumento não pode ser feito à custa do endividamento das famílias», afirmou.
¿Lucros aos milhões, salários aos tostões¿ e ¿Primeiro de Maio é para lutar, não é para trabalhar¿ foram alguns dos slogans mais entoados pelos manifestantes que começaram a concentrar-se cerca das 12:00, mas interromperam o protesto uma hora mais tarde para almoçar.
Enquanto aguardavam a chegada de Carvalho da Silva, os promotores da manifestação distribuíram sacos com sandes, bolos e garrafas de água, o que fez com muitos optassem por se sentar na relva ou na beira do passeio enquanto matavam a fome.
Carvalho da Silva chegou cerca das 13:20, sozinho e a pé, mas a sua presença não foi suficiente para fazer levantar a maior parte dos manifestantes que estavam a almoçar.
Só voltaram a mostrar alguma animação quando o coordenador nacional da CGTP pegou no megafone para lhes dirigir algumas palavras de solidariedade com a sua luta.
jerryjerr @ 22:37


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