Solteiros e solitários mais afectados pelo desemprego
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Solteiros e solitários mais afectados pelo desemprego |
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| Em cada dez desempregados, quatro são solteiros, revelam dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), solicitados pelo DN. Esta proporção desce para metade quando se olha para os empregados. O facto de os desempregados serem em média mais jovens dos que os que trabalham contribui só parcialmente para justificar este diferencial. Uma explicação adicional pode estar na aparente correlação entre as situações de marginalidade no trabalho e na família.
À escala da realidade, são 169 mil desempregados a viver sozinhos (ou com outros familiares) e que, por isso, se encontram numa situação económica mais vulnerável. Estes representam 40,4% das 417 mil pessoas que estavam sem emprego no terceiro trimestre, percentagem que desce para quase metade (21,9%) no caso dos empregados. Os restantes desempregados dividem-se entre casados, ou juntos (que não sendo casados vivem em economia comum), que representam 54,1% da população sem emprego, e os que já foram casados, estando agora viúvos, divorciados ou separados, 5,5% (ver gráficos). Idade não explica tudo O facto da população desempregada ter uma idade média mais baixa do que a empregada ajuda a compreender este fenómeno. Mas não explica tudo já que o peso dos viúvos e divorciados/separados é muito semelhante entre os dois conjuntos. Os números do INE mostram que 22% dos desempregados inserem-se no escalão etário abaixo dos 25 anos, enquanto entre os empregados esta percentagem é de apenas 8,8%. O peso do escalão seguinte, entre os 25 e os 34 anos, já é muito mais semelhante entre os dois conjuntos, sendo de 31,6% entre os desempregados e 26,1% entre os empregados. Porém se a idade tivesse efectivamente um efeito explicativo significativo neste diferencial, também deveria reflectir-se na percentagem de viúvos e separados, que deveria ser superior nos empregados (que são mais velhos). Mas não é isso que acontece, pois a percentagem dos "ex-casados/juntos" difere só num ponto percentual, sendo de 6,5% entre os trabalhadores e de 5,5% nos que estão sem emprego. Aumento do desemprego sem impacto O forte crescimento do desemprego nos últimos anos, que levou a que a taxa duplicasse em cinco anos, não teve efeitos na desagregação por situação familiar dos empregados e desempregados . Com efeito, desde 1998 que a distribuição dos desempregados entre solteiros e casados se mantém relativamente estável. Mas aqui sobressai um dado curioso: enquanto o peso dos solteiros nos empregados tem uma margem muito estreita de oscilação ao longo do tempo, o peso dos solteiros nos de-sempregados variou entre 36% e 45%. Estas oscilações têm, contudo, um perfil claramente sazonal, diminuindo sempre a percentagem dos desempregados solteiros no segundo trimestre para aumentar no trimestre seguinte. Quanto às explicações para estas oscilações, como para as diferenças de retratos familiares entre desempregados e empregados, estas ficam para os especialistas. |



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